Kung-fu

Do pinyin: Wushu é um termo chinês que literalmente significa “arte da guerra”. No Brasil o termo normalmente usado é o Kung Fu (pinyin: Gongfu). No entanto, na China este termo caracteriza qualquer tarefa feita com perfeição, não apenas artes marciais. Temos também outro termo bastante usado na China, Kuoshu (pinyin: Guoshu), que significa “arte nacional”, este termo foi imposto pelo governo chinês para designar a arte marcial (Wushu) de uma forma mais nacionalista.

Existem catalogados na China mais de 300 estilos diferentes de Kung Fu/Wushu/Kuoshu, e estes podem ser classificados em duas escolas:

Waijia ou escola externa, e Neijia ou escola interna. Na primeira se incluem a maior parte dos estilos de Kung Fu, alguns, originários do Templo Shaolin, outros, de outros templos, como por exemplo: Emeishan, Fukien, Huanshan. Tal escola visa prioritariamente a prática para o desenvolvimento externo, ou seja, para o desenvolvimento propriamente físico ou marcial, são estilos de Kung Fu classificados como Duros. A maioria dos estilos externos se encaixam no estilo principal:

tongbeiquan, um estilo baseado no movimento de animais tais como o tigre, o louva a deus, o macaco, a serpente e a garça. Outro exemplo de estilo de Kung Fu externo é o Sanshou ou Sanda ou boxe chinês, direcionado para combates. Voltando a escola interna, podemos dizer que ela visa mais a prática para o desenvolvimento interno, ou do Chi, a energia interna, são estilos classificados como Suaves. A escola interna ficou mais conhecida, a partir do templo do Monte Wudang, centro que enfatizava estilos tradicionais, alguns muito famosos no Ocidente, como o Baguazhang, Xingyiquan e o Taijiquan. Outras modalidades da escola interna, como o I-Chuan, o Hsing-I e o Pakua, não tiveram origem em templos.

Uma reformulação moderna com um intuito esportivo de alto desempenho é o Kung Fu Moderno, que frequentemente exige atletas muito bem preparados. Paralelamente, temos o Kung Fu Tradicional, tendo inclusive muito mais praticantes do que o Kung Fu Moderno. O foco do Kung Fu Tradicional é oferecer uma prática esportiva e marcial para todas as idades.

As histórias do Kung Fu e do Wushu estão intimamente relacionadas e, na maioria das vezes, a sua interpretação e significação é erradamente confundida. Saiba qual é a história do Kung Fu e do Wushu e conheça a importância de uma arte marcial que atraiu e uniu várias gerações.

WUSHU VS. KUNG FU

O Wushu é um termo chinês que significa literalmente a “arte da guerra” e é uma expressão que designa todas as artes guerreiras, militares ou marciais.

Na cultura ocidental, o Kung Fu ficou conhecido como a “arte da guerra” e isso originou uma grande confusão, uma vez que são dois conceitos diferentes e não apresentam a mesma significação. O Kung Fu faz parte do Wushu, mas é apenas um estilo marcial, dos vários existentes, que visa o trabalho duro de um praticante. É uma arte que revela que tudo pode ser adquirido através do esforço individual ou pela competência evidenciada na luta corporal.

Com a imigração dos camponeses chineses para os Estados Unidos da América, e graças ao sucesso dos filmes de artes marciais protagonizados por Bruce Lee, nos finais dos anos 60, o Kung Fu começou a difundir-se e ficou cada vez mais popular.

A prática do Kung Fu possibilitou o desenvolvimento de novas formas de luta, como o Karaté, Taekwondo, Esgrima, Aikido e muitos outros estilos de lutas marciais.

A ARTE DO KUNG FU

O Wushu ou Kung Fu, como se diz no Ocidente, é uma arte marcial milenar que existe há séculos na República da China e nas comunidades chinesas espalhadas por todo o mundo, e a sua história está ligada diretamente à história do país.

Ninguém sabe ao certo quando surgiu o Kung Fu, pois existem poucas histórias fundamentadas acerca da sua origem. No entanto, surgem relatos que esta arte marcial surgiu há mais de 4.000 anos e tinha como objetivo principal a luta pela sobrevivência.
Com o passar dos tempos, o Kung Fu ficou conhecido como Ch’uan fa, ou estilo de punho e tornou-se muito popular quando os guerreiros da dinastia Chou da China Ocidental derrotaram o monarca da dinastia Shang em 1122 a.C.

Desde então que esta arte marcial não mais parou de crescer e acompanhou o período dos Estados Guerreiros (480-221 A.C.), as dinastias Ch’in (221-206 A.C.), Rã (206 a.C. – 220 D.C.), Jin (265-439 D.C.) e as dinastias do Norte e do Sul (420-581 D.C.). Durante este período, a arte do Kung Fu foi-se aperfeiçoando e melhorando através da observância dos comportamentos e movimentos dos animais, nomeadamente a forma como atacavam e como se defendiam. Estes movimentos dos animais foram adaptados ao homem e ao seu estilo de lutar, daí o motivo de existirem vários estilos de Kung Fu com nomes de animais como: Macaco, Garça, Louva-a-Deus, Tigre, Leopardo, entre outros. Por outro lado, o controlo das técnicas de respiração foi fundamental para fazer de um praticante de Kung Fu um guerreiro imbatível.

Este foi um crescimento lento e progressivo que fez com que o Kung Fu ou Wushu se tornasse a arte marcial de excelência que é considerada nos dias de hoje.

A SAUDAÇÃO DO KUNG FU

A saudação tradicional do Kung Fu é chamada de Kin Lai e deve ser efetuada com as duas mãos. A mão direita deve ficar com o punho fechado e representa o sol e a força, ao passo que a mão esquerda fica com a palma da mão aberta e representa a lua e a inteligência. Na saudação, a mão esquerda deve pressionar sempre a mão direita para que a junção do “sol” com a “lua” (mão esquerda e direita) formem o Ming, que é uma das características mais importantes na prática do Kung Fu: a clareza de espírito.

A saudação do Kung Fu tem dois significados associados:
É uma forma de demonstrar respeito, admiração e equilíbrio para com o adversário;

Indica que um indivíduo que utilize a inteligência (palma aberta da mão esquerda) consegue travar e ser mais eficiente que um punho (mão direita fechada).

AS CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO KUNG FU

Das características que compõem o Kung Fu, destacam-se as seguintes:
É uma atividade que requer muito tempo de prática e obriga a trabalhos duros, sob a rigorosa supervisão de um mestre.
É um sistema de defesa pessoal altamente eficiente que aumenta a concentração de um indivíduo e a sua capacidade de resposta. Inclui várias técnicas de ataque que, por sua vez, só devem ser usadas em último recurso.

A sua prática é um ato de fé e de resistência que permite aperfeiçoar o corpo, a moral, o caráter e a disciplina mental. O corpo de um indivíduo não pode agir sem a interferência da mente e esta deve ser orientada a acalmar o espírito. Esta é a essência do Kung Fu, pois une a mente, o corpo e o espírito.

A filosofia do Kung Fu é muito parecida com a filosofia do Taekwondo, em que a sua força reside na harmonia da ordem natural das coisas. O símbolo que descreve esta filosofia, é o símbolo antigo taoista “yin e yang”, em que nenhum lado do símbolo é maior em tamanho e muito menos em importância do que o outro. Os dois lados devem revelar um equilíbrio perfeito ou o todo é afetado.

Um dos seus objetivos principais passa por melhorar e canalizar a energia Ch’i de cada praticante. A energia Ch’i reside no poder da mente e na possibilidade de concentrar a energia interior de uma pessoa num só local. Só assim é que é possível aprender a partir tijolos com as mãos ou aprender a sentir os movimentos de um inimigo no meio da escuridão.

É uma disciplina que trabalha a fluidez dos movimentos de um praticante, harmoniza a sua respiração e faz com que se exprima com uma maior habilidade.